Reforma Tributária 2027: o que muda para sua empresa agora

Se você é empresário, provavelmente já ouviu falar da reforma tributária mais como um assunto de noticiário do que como algo que afeta o seu dia a dia. Mas essa distância está com os dias contados. Em 2026 já começou a fase de testes do novo sistema, e a partir de 2027 uma série de mudanças passa a valer de verdade, inclusive no seu caixa.

Neste artigo, reunimos o que já está em vigor, o que ainda está em definição e, principalmente, o que isso significa na prática para quem administra um negócio.

O que já está acontecendo em 2026

Você provavelmente já percebeu um novo campo nas suas notas fiscais. Desde este ano, as empresas precisam destacar 1% do valor de cada operação referente aos novos tributos IBS e CBS. Ainda não há cobrança nesse período, é uma fase de testes, mas o sistema de emissão de notas já está sendo adaptado, e qualquer inconsistência nesse preenchimento pode travar a emissão de uma nota fiscal.

Na prática, isso significa que erros que antes passavam despercebidos agora podem parar uma venda. Vale a pena revisar com seu contador se o seu sistema de emissão está atualizado para os novos campos.

O grande impacto: o Split Payment no seu capital de giro

Essa é, possivelmente, a mudança que mais vai pesar na rotina financeira das empresas. O Split Payment é o mecanismo que divide automaticamente o pagamento de uma venda: uma parte vai para o Fisco no exato momento da transação, antes mesmo de o dinheiro passar pelo caixa da empresa.

Hoje, entre o momento da venda e o pagamento do imposto, existe uma janela de tempo em que esse valor pode ser usado como capital de giro. Com o Split Payment, essa janela desaparece. O valor do imposto simplesmente não chega a ficar disponível.

Para negócios que dependem desse intervalo para pagar fornecedores, folha ou cobrir sazonalidades, o efeito é direto: menos dinheiro girando no curto prazo. É o tipo de mudança que precisa ser antecipada em planejamento financeiro, não descoberta na prática.

Imposto Seletivo: um novo tributo em construção

O Imposto Seletivo (IS) é outra novidade da reforma, com previsão de começar a valer em 2027. Ele deve incidir sobre produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente e as apostas on-line (bets) já estão nessa lista, com tratamento semelhante ao aplicado a cigarros, por conta do risco de vício associado.

A alíquota já foi definida internamente pelo governo, mas segue em sigilo e há sinais de que o envio do projeto ao Congresso pode ser adiado por conta do calendário eleitoral. O setor mineral também é um ponto de disputa: a lei prevê um teto de 0,25% de alíquota para o setor, mas o tema ainda não está fechado.

Se sua empresa atua em algum desses segmentos, vale acompanhar de perto decisões de precificação e margem podem precisar ser revistas rapidamente assim que a alíquota for anunciada.

Quanto vai custar? A alíquota de referência do CBS/IBS

O Comitê Gestor do IBS e CBS estimou uma alíquota de referência de 27,91% para a soma dos dois tributos que vão substituir PIS, Cofins e IPI a partir de 2027. O número está acima do teto previsto originalmente na lei e ainda não é definitivo, mas já é usado como referência pelo mercado para projeções.

Esse é o número que mais aparece nas conversas entre empresários, e por um bom motivo: ele afeta diretamente a formação de preço, a margem e a competitividade de qualquer negócio que venda produtos ou serviços.

Quem aluga imóveis também entra na conta

Uma mudança que costuma passar despercebida: a partir de 2027, pessoas físicas que possuem mais de três imóveis alugados e faturam acima de R$ 240 mil por ano com aluguéis passam a ser enquadradas no regime regular de CBS e IBS. Na prática, isso significa abrir CNPJ, emitir documentos fiscais e recolher os novos tributos como qualquer outra empresa.

Quem está abaixo desses limites continua na regra atual do Imposto de Renda, sem necessidade de se enquadrar no novo regime só por receber aluguel. A lei também prevê uma alíquota reduzida para operações de locação, reconhecendo a particularidade desse mercado mas os detalhes ainda dependem de regulamentação.

O que isso significa na prática para o seu negócio

Juntando as peças, os principais riscos para quem empreende são:

  • Aperto no capital de giro, com o Split Payment reduzindo o dinheiro disponível no curto prazo.
  • Aumento da carga tributária efetiva, dependendo de como a alíquota final do CBS/IBS se consolidar.
  • Risco operacional, com notas fiscais que podem ser recusadas por erro de preenchimento nos novos campos.
  • Enquadramento inesperado, no caso de quem tem renda com aluguel de imóveis e ainda não avaliou se vai precisar de CNPJ.
  • Decisões de precificação sob pressão, especialmente em setores que podem ser alvo do Imposto Seletivo.

Nenhum desses pontos é motivo para pânico mas todos são motivo para planejamento antecipado. O erro mais comum nesse tipo de transição não é a mudança em si, é ser pego de surpresa por ela.

Como se preparar antes que a conta chegue

Algumas ações que já podem começar agora, mesmo com parte das regras ainda em definição:

  1. Revisar o fluxo de caixa simulando o efeito do Split Payment sobre o capital de giro atual.
  2. Conferir a emissão de notas fiscais, garantindo que o sistema já suporta os novos campos de IBS/CBS.
  3. Reavaliar a precificação, considerando a alíquota de referência como cenário provável.
  4. Mapear enquadramentos, principalmente para quem tem renda com locação de imóveis.
  5. Acompanhar o setor, já que Imposto Seletivo e regulamentações específicas ainda estão em movimento.

Não espere 2027 chegar para descobrir o impacto no seu negócio

A reforma tributária está sendo construída em etapas, e cada uma dessas etapas já começa a afetar decisões que você toma hoje, como a precificação, fluxo de caixa, estrutura societária. Quanto antes esse cenário for mapeado para a realidade específica da sua empresa, menor o risco de ser surpreendido no meio do caminho.

Na Queiroz & Venâncio, ajudamos empresários a entender exatamente onde a reforma tributária vai pesar no negócio deles e o que fazer a respeito antes que a mudança chegue.

Fale com a gente e solicite um diagnóstico fiscal gratuito. Vamos analisar sua operação e te mostrar, com números, o que muda e como se preparar.

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